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A bruxa Betty Friedan: dos anos de militância para os de dona de casa oprimida pelo conservadorismo norte-americano

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Publicado en 11 Feb 2026 / En Otro

Norman Markowitz

"Betty Friedan, por exemplo, vinha de uma família judaico-americana de classe média em Illinois, frequentou uma faculdade feminina de elite durante a Segunda Guerra Mundial e, depois, fez pós-graduação em Berkeley. Ali, envolveu-se em diversas lutas políticas, algumas das quais incluíam ativistas do Partido Comunista, e em seguida foi trabalhar para a Federated Press, ligada à esquerda trabalhista. Esse veículo de comunicação procurava oferecer à mídia da classe trabalhadora o que a Associated Press oferecia à mídia capitalista. Mais tarde, Friedan escreveu para o UE News e apoiou o Partido Progressista em 1948. Betty Friedan formou-se politicamente em um movimento e em uma cultura de esquerda nos quais o CPUSA desempenhava o papel dirigente. Embora a repressão do pós-guerra tenha encerrado sua carreira como jornalista da esquerda trabalhista, ela continuou tentando escrever para publicações femininas enquanto se acomodava, de maneira desconfortável, ao papel de dona de casa suburbana.

As questões do chauvinismo masculino dentro do CPUSA foram retomadas durante o início da Guerra Fria e debatidas em clubes e fóruns do partido, enquanto a repressão buscava construir o que o filósofo francês Jean-Paul Sartre chamou de anel de fogo entre os comunistas e os demais cidadãos. Betty Friedan, por meio de sua obra do início dos anos 1960, A Mística Feminina, desempenhou um papel essencial na formulação do que, nos círculos socialistas e posteriormente comunistas, era chamado de “a questão feminina”. Ela sempre se esforçou ao máximo para ocultar ou simplesmente ignorar seu passado à medida que se tornava uma celebridade, e direcionou seu feminismo inicialmente às mulheres com formação universitária, frustradas com suas vidas como donas de casa, cujo trabalho era ao mesmo tempo não remunerado e desvalorizado.

Entretanto, pode-se encontrar em sua obra uma análise das ideologias de opressão e uma resistência a elas que constituíram um fundamento do movimento comunista no período em que ela atingiu a maturidade política. Também é possível identificar, em seu trabalho posterior como fundadora da National Organization for Women (NOW), uma ênfase na construção de organizações amplas e inclusivas e na ação política tanto dentro quanto fora dos canais institucionais tradicionais. Ela defendia a realização de lobby por mudanças na lei, a organização de protestos de massa para impulsionar tais mudanças e a preparação do movimento para avanços futuros. Esse tipo de perspectiva estratégica e tática também caracterizava o Partido Comunista e o movimento de esquerda mais amplo do qual ele era a força dirigente na juventude de Friedan"[2].

Augusto Zimmermann
“(...) a desintegração da família, facilitada pelo Código Soviético sobre Casamento e Família, transformou o divórcio em algo fácil e acessível. O resultado foi um enorme aumento de casamentos ocasionais e a mais alta taxa de divórcios do mundo. O resultado das políticas antimatrimônio na União Soviética foi um aumento dramático no número de lares desfeitos e de abortos. Em 1934, somente em Moscou, houve 57.000 nascimentos vivos em comparação com 154.000 abortos. Relata-se que um grande número de mulheres morreu em decorrência dessas interrupções da gravidez”. (...) “Friedan apoiou essas políticas soviéticas, pois percebia a família tradicional como o maior obstáculo à socialização das crianças”.[5] (...) Como observa o historiador britânico Orlando Figes: a família foi a primeira arena na qual os bolcheviques travaram a luta. Na década de 1920, eles tomaram como artigo de fé que a “família burguesa” era socialmente nociva: era introvertida e conservadora, um reduto de religião, superstição, ignorância e preconceito; fomentava o egoísmo e a avidez material, e oprimia mulheres e crianças. Os bolcheviques esperavam que a família desaparecesse à medida que a Rússia soviética se desenvolvesse em um sistema plenamente socialista, no qual o Estado assumisse a responsabilidade por todas as funções domésticas básicas… O casamento patriarcal, com sua moral sexual associada, desapareceria — para ser substituído, acreditavam os radicais, por “uniões livres de amor”.

https://ratioetordo.blogspot.c....om/2026/02/betty-fri

REFERÊNCIAS
[1]Friedan and feminism's long links with the fight for wider equality. https://www.theguardian.com/wo....rld/2013/jan/18/frie

[2] Tradução livre de KEYWIKI. Betty Friedan. https://keywiki.org/Betty_Friedan

[3] BOUCHER, Joanne. Betty Friedan and the Radical Past of Liberal Feminism. https://archive.newpol.org/iss....ue35/boucher35.htm#r

[4] Idem.

[5] Tradução livre de ZIMMERMANN, Augusto. Assessing the destructive impact of ‘Stalinist feminism’. https://www.mercatornet.com/as....sessing_the_destruct

[6]HOROWITZ, David. Betty Friedan's secret Communist past.. https://writing.upenn.edu/~afi....lreis/50s/friedan-pe

[7] HOROWITZ, Daniel. Betty Friedan and the making of The feminine mystique. 1998. IX

[8] Idem. P. 3

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