Curtis Yarvin, uma influência extremamente perniciosa....
Há poucos anos, eu escutava alguns analistas comentando a posição do Movimento Brasil Livre, no sentido de que esse grupo caminhava em direção ao derretimento e insignificância. Um ledo engano, considerando que eles têm trabalhado pela formação de bases partidárias em vários estados e municípios antes mesmo que o partido político, com registro no TSE, fosse oficializado.
O MBL fala a língua do sistema, os integrantes da cúpula sabem disso, vendem como novidade um projeto de poder sem pretensão alguma de renovação.
Um movimento que tem caminhado no sentido de reunir várias vertentes ideológicas dentro de si, mas sem perder a sua intenção original de fazer carreira na política e integrar-se à oligarquia de Brasília e suas extensões.
Quer uma faceta libertária? O MBL oferece as cores da bandeira de gadsden e acena aos liberais. Como se dissessem: “o libertarianismo que vocês não encontram nos conservadores está aqui”.
Sente alguma simpatia pelos movimentos socialistas com feições direitistas que tiveram proeminência no século passado? Há gente no movimento repassando uma imagem positiva desses regimes socialistas pagãos e antissemitas.
Ou então você é maconheiro e de impulsos sexuais extravasados? Há um espaço também, uma espécie de psolismo travestido de direita. O MBL apoia a legalização da maconha e agendas internacionais que tratam da sexualidade nos mesmos moldes que a esquerda, como por exemplo a questão do aborto.
O movimento também tem trabalhado numa carapaça de catolicismo para atrair essa parte relevante da população brasileira. E assim vai, mantendo um estojo de discursos conforme as orelhas dos incautos.
O MBL é o puro suco do oportunismo.
Um dos poucos portais atentos às raízes ideológicas desse grupo tem sido o site estudos nacionais, forte na análise dos elementos místicos e ocultistas que permeiam as correntes atuais, que resgatam alguns traços daquelas do século passado. O movimento convidou ninguém menos que Curtis Yarvin, pseudônimo Mencius Moldbug, para palestrar diante de seu público, influência das mais perversas e, não por coincidência, com fortes conexões com o duguinismo nos Estados Unidos.
Yarvin é um ponto de subversão para o meio intelectual norte-americano, sua proposta é erodir as bases institucionais da política dos Estados Unidos, como a ideologia dos Pais Fundadores, o constitucionalismo (um dos poucos lugares onde existe verdadeira cultura constitucional), o regime de liberdades civis, colocando no lugar disso tudo um regime de viés tecnocrático e autoritário com donos de empresas podendo determinar, de cima para baixo, os regulamentos e diretrizes que os outros devem seguir.
O MBL tenta reencenar o teatro das tesouras. São os novos tucaninhos. Reencenam a luta entre socialistas pseudopopulares com discurso periférico e classista/racista com os socialistas de condomínio, de famílias abastadas, patrimônio estável e regalias de praxe (em suma, os tucaninhos e a socialdemocracia). Partindo para uma simplificação direta: os socialistas de condomínio e os socialistas de sindicato.
Quando não estão no poder, defendem a liberdade de expressão irrestrita. Quando passam a ocupar cargos e crescer na aba do regime, essa defesa das liberdades é gradualmente diminuída, até que se passa à defesa explícita da censura como vem sendo praticada.
A nova geração de políticos é tão podre quanto a antecedente, o diagnóstico feito por Olavo de Carvalho sobre esse movimento dos liberais que apoiam a hipertrofia do Estado continua mais atual do que nunca.
"Tudo o que o MBL tem feito desde que existe é sugar as energias do movimento popular e canalizá-las para reforçar a classe política podre, o 'sistema' e agora a esquerda chique. Em nome de 'união', abstive-me de criticá-lo no mais das vezes, mas, quando, entre tantos pedidos de impeachment, ele optou por privilegiar logo o de um adesista de última hora, sem outro currículo senão uma longa folha de serviços prestados ao esquerdismo, a única resposta que os patriotas podem dar a essa cachorrada é TOLERÂNCIA ZERO. Não há união com o divisionismo. Não há união com quem se alia ao inimigo contra os amigos." Olavo de Carvalho .
"Depois o movimento popular se dispersou e o MBL está lá, levando o dinheiro dos partidos políticos. Inventou um jeito de fazer tudo de novo, como estava antes." Olavo de Carvalho .
Com a proposta de lei do deputado Kim Kataguiri, houve a criação de uma modalidade de denunciação caluniosa para contextos eleitorais, dando uma camada de blindagem a mais para as “pessoas politicamente expostas”.
O MBL se posicionou a favor da reforma tributária do Lula e contrário à de Paulo Guedes.
O MBL tenta encenar o discurso demagogo antibanditismo, mas quando se viu na circunstância de ter de escolher entre o partido denunciado como mantenedor de diálogos cabulosos com facção criminosa, e outro candidato cuja propaganda foi proibida nas regiões dominadas pelos faccionados, se portou de maneira indiferente.
O MBL sempre esteve ao lado da esquerda, porque os neotucanos são provenientes dos esquerdistas filhos das “diretas já!”.
Aliou-se aos partidos de esquerda para pedir o impeachment de Bolsonaro.
Caluniou Bolsonaro no plenário da câmara, utilizando os clichês e jargões usuais da esquerda, mas virou cadela e se recusou a atacar Luis Inácio, colocando o rabinho entre as pernas, desmentindo com o seu comportamento aquilo que sustentava por meio de palavras, o equivalentismo burro vendido aos otários.
Propaga a narrativa do golpe e se coloca favoravelmente ao lado da censura impulsionada pelas frentes políticas que ocupam cargos judiciários.
Qualquer proposta ventilada no sentido de unificar o espectro político de direita precisa evitar a classificação de cavalos de troia como direitistas, considerando que de dentro eles causam mais dano do que se estivessem de fora, com a sua natureza revolucionária exposta, afinal de contas “Não há união com o divisionismo. Não há união com quem se alia ao inimigo contra os amigos”.