Homens violentos
“O homem é o lobo do próprio homem”. Esse é um enunciado célebre, repetido por Hobbes e primeiramente dito numa peça latina. Acontece que por trás dos grandes lobos, existem as aspirantes a lobas, coniventes e admiradoras da preponderância que eles prometem exercer sobre a matilha.
O caso hediondo do assassinato do gari trouxe à tona uma mistura de aberrações morais, sociopatia e desajuste mental, tudo junto e misturado.
Um sujeito com aparência de bon vivant, musculoso, bem vestido, conduzia o seu carro elétrico e foi forçado a parar por causa do caminhão de lixo, que estava fazendo justamente aquilo que se espera dos profissionais de recolhimento de lixo. Inconformado, porque não podia esperar alguns minutos, pegou a arma que estava à sua disposição e alvejou o gari Laudemir de Souza Fernandes. Após o crime, ele fugiu do local e foi para a academia se exercitar, como se nada tivesse acontecido. Uma indiferença total, que me faz resgatar o dado de que cerca de 1% a 4% da população possui algum tipo de sociopatia.
Em outro caso, um indivíduo pertencente a uma facção criminosa fugiu da polícia e usou a própria esposa grávida como escudo para conseguir escapar da prisão, o episódio não causou a ruptura da relação do casal. Tratava-se de um “disciplina”, a mando da organização criminosa, que fazia julgamentos e determinava a morte das vítimas, que eram sepultadas em cemitérios clandestinos.
Peguemos ainda o acontecido com a “mulher dos 60 socos”, quando numa discussão acalorada entre os dois pombinhos o namorado partiu para cima da parceira e incessantemente passou a desferir-lhe golpes no rosto.
O que se escuta quando se fala do sexo feminino é que as mulheres são muito atenciosas, detalhistas, conseguem pensar em várias coisas ao mesmo tempo, existe uma multiplicidade de nuances que elas conseguem captar e que para os homens passam em branco. Os especialistas atribuem a elas alta capacidade linguística e de inteligência pessoal, as mulheres então seriam aquelas que conseguem lidar com as pessoas.
Aliás, elas próprias se atribuem essas capacidades de leitura de personalidades, exaltando uma pretensa superioridade sobre o outro sexo, objetivo que sintetiza a pauta supremacista do movimento feminista, embora subordinada a interesses revolucionários.
Eis a questão, será que elas não conseguem colocar esses dotes sensitivos na hora de selecionar os parceiros, separando os violentos daqueles que não o são?
Será que as esposas, namoradas e parceiras sentem algum incômodo quando se colocam ao lado de homens desse tipo? Estaríamos errados se cravássemos que sim, nota-se uma larga tolerância do sexo feminino com desvios de caráter, quando o parceiro comete furtos, roubos, corrupção e mesmo assassinatos. Vira e mexe escutamos que as coitadas sentem um impulso de “querer corrigir” os mau-caratismos de seus parceiros, uma grande balela que mascara a cumplicidade como se se tratasse de boas intenções e purezas ou como se fossem santas querendo corrigir a alma do parceiro e colocá-lo no bom caminho...
Dentre todos os tipos femininos, a figura mais desprezível é, de longe, a mulher de vagabundo, e estes se encontram em todas as classes, profissões e portes físicos.
O assassino do gari era parceiro de uma delegada e se utilizou de uma das armas desta para o cometimento do crime. Como se não bastasse, ele veio de outros relacionamentos nos quais havia indícios e denúncias de violência doméstica, ou seja, a delegada aceitou um homem que carregava consigo um passado duvidoso.
Blogs, artigos, reportagens e documentários são enfáticos ao retratar como a questão da violência impacta a sociedade e, mais especificamente, como homens violentos são capazes de prejudicar mulheres, mas o ponto mais importante que merece destaque aqui é o perigo que o perfil violento masculino pode causar contra outros homens.
Em primeiro lugar, a violência aqui tratada é a do tipo irracional, podemos identificá-la quando praticada de maneira independente de justificativas que não o prazer e conforto do próprio agressor. Assim, esses tipos estão sempre preocupados com si próprios, seja qual for a consequência de seus atos e, quando inseridos num contexto de violência contra mulheres, eles servirão de propaganda para a criminalização de todo o sexo masculino.
Em segundo plano, é inserida uma noção de corresponsabilidade, como se os homens devessem salvar as mulheres de suas próprias escolhas. Todos se tornam fiadores do bom comportamento masculino dos parceiros escolhidos por elas próprias, de maneira que, se você estiver num mesmo ambiente no qual a agressão se desenvolve, existe uma expectativa de que você interfira em favor da agredida, ainda que com risco pessoal (portanto sem ter obrigação nenhuma, visto que a omissão de socorro apenas se configura em casos nos quais o socorro pode ser prestado sem risco). Após o ato heroico, há chances altas de que a vítima perdoe ou mesmo reate o relacionamento com o próprio agressor.
Quando a violência acontece entre o casal, é bom lembrar que ninguém colocou arma na cara da mulher e a forçou a se relacionar com o sujeito. Existe substância por trás do ditado segundo o qual “em briga de marido e mulher não se mete a colher”.
Em terceiro, elas são capazes até de perdoar os cafajestes agressivos, assim isentando o agressor individual, mas mobilizando a comunidade inteira contra os homens em geral. O agressor é perdoado no mesmo instante em que o sexo inteiro é condenado, o criminoso deixa de existir enquanto tal e se converte numa espécie de representante da agressão masculina que paira em todos e que está prestes a desaguar sobre as coitadas se mecanismos repressivos não forem adequadamente dispostos para a sua proteção. Já não é apenas um réu, mas um catalisador de pautas cultivadas pelos movimentos sexistas, que ganham fôlego e impulso perante a opinião pública.
Muitas mulheres enxergam nos homens violentos um escudo protetivo e se mostram completamente indiferentes quando os seus atos violentos são praticados contra terceiros. O homem aparece como um instrumento por meio do qual a mulher exerce poder sobre o mundo. Isso significa que, em se tratando de reprodução e prazer sexual, a mulher prestigiará o agressor e, quando este apresenta condutas antissociais contra terceiros, ela simplesmente pode ignorar, porque não a afeta.
De memória, recordo que o documentário redpill traz um depoimento de uma senhora que participou da administração de abrigos voltados às mulheres vítimas de violência doméstica, ressaltando que aquelas que reclamavam de violência apresentavam elas próprias comportamentos violentos. Ofuscada pela delinquência masculina, que possui mais potencialidade e extravasamento físico, muitos se esquecem do regozijo que elas sentem com o comportamento de seus parceiros.
Se num dado momento eles lhe servem de instrumento contra o mundo, ao se verem na condição de afetadas, por um acidente de cálculo, convertendo-se em alvos das violações que somente deveriam ocorrer contra os outros, aí ocorre o contrário, ela clama ao mundo para que providencie o socorro.
O mgtow bandit (Deon Daniely) já aludiu ao conceito de safety net, que é um arranjo de relações sociais e benefícios por meio do qual o sexo feminino sempre encontrou amparo na cumplicidade geral, não tendo que se defrontar com o peso das consequências de seus atos.
E justamente uma das quebras da rede de segurança é desmobilizar esse instinto de proteção, que poderia ser considerado natural aos homens, que é um papel que se cumpre em vistas de um tributo pago pelo outro sexo, consistente em cumprir aquilo que dele também se espera.
A atitude de alheamento dos problemas que tais mulheres porventura possam ter é, na prática, a sabotagem da rede de segurança que lhe serve de apoio para, servindo-se do mundo e dos homens, dizerem-se no instante seguinte independentes, desprezando tudo e todos.
A tendência constante em olhar os conflitos a partir do prisma masculino pode nos conduzir a uma visão mais compassiva, sem razão, quando algum homem é acusado de alguma coisa e suas digitais podem ser encontradas no local em que um desajuste infeliz tenha ocorrido, nos fazendo esquecer que esses tipos, os homens violentos, são os autores dos homicídios que fazem com que mais de 91% dos homens sejam vitimados ano a ano.
Os homens violentos não são um perigo maior para elas, as mulheres, do que para os outros, são chimpanzés raivosos que se entregam aos impulsos do momento, principalmente em ambientes nos quais a baixeza predomina. Quando eles comem as suas parceiras, o prazer é só deles, mas quando as espancam, a culpa é de todos.
Identificado o perfil masculino que de fato seja violento irracional, é possível isolá-los, evitando assim uma intimidade que poderia acarretar, num longo prazo, problemas maiores, já que é um fator de risco.
Em São Paulo, um sujeito tomava cerveja com um casal amigo, quando do nada o homem partiu para cima da mulher com uma faca. Noutro, o marido pensou que um terceiro, que compartilhava da vida do casal, estava tendo um caso com a sua mulher, então ele resolveu investir contra o suposto talarico.
A diferença entre tragédia e comédia consiste em que, no primeiro caso, as partes envolvidas fazem de tudo para que as coisas deem certo, embora acabem dando errado, enquanto que na comédia um conjunto de atos desastrados se sucede, mas no final as coisas acabam por se encaminhar num bom sentido. Quando uma mulher de bandido é prejudicada, não há tragédia, pois desde o início tomou gosto pelo caminho ruim, melhor será que as consequências ruins recaiam sobre ela própria e que outros sejam poupados.
Observem os perfis dos homens envolvidos nos casos de violência, são justamente aqueles que desprezariam quaisquer noções antifeministas a eles apresentadas e encarariam esse papo como motivo de troça. Sejam playboys de condomínio ou manos da quebrada, eles zombarão de você se descobrirem que você sustenta a existência de um sistema abusivo voltado à supremacia feminista.
São homens? Mudemos o ângulo para enxergá-los por uma perspectiva mais acertada: em paralelo ao fato de serem homens, eles são a extensão do mau gosto das mulheres que gostam de navegar em águas turbulentas, esquecidas de que toda aventura tem um risco e custo.
REFERÊNCIAS
Atlas da violência 2020. https://www.ipea.gov.br/atlasv....iolencia/arquivos/ar
The Red Pill - Men's Rights DOCUMENTARY. https://youtu.be/Q7MkSpJk5tM?si=1bMzqGavSAHd3tUh